Terminada a Copa do Mundo, o segundo semestre será marcado por eleições e intensa movimentação política, as atenções inevitavelmente se voltam para a sucessão presidencial. Assim como ocorreu em 2018 e 2022, o processo eleitoral parece chegar sem despertar no cidadão aquele entusiasmo natural de quem acredita estar escolhendo os rumos do país. Apenas algo plebiscitário, direita/esquerda.
As razões para esse desânimo não são poucas. A polarização, cada vez mais acentuada, sufoca o debate público e transforma a disputa eleitoral em uma batalha permanente entre torcidas.
Pouco se fala, de forma consistente, sobre como enfrentar os enormes desafios da economia, da saúde pública, da educação, da segurança, da infraestrutura, do meio ambiente, da mobilidade urbana ou da produtividade nacional.
O eleitor que espera conhecer planos concretos encontra, em vez disso, uma sucessão de episódios que alimentam manchetes e redes sociais, mas pouco contribuem para esclarecer o que realmente está em jogo.
O noticiário se transforma em um espetáculo diário. Os principais protagonistas da disputa acabam dedicando mais energia ao confronto do que à apresentação de soluções.
É inevitável imaginar o sentimento de quem acompanha esse cenário esperando conhecer caminhos para um país que precisa crescer, gerar empregos, reduzir desigualdades e recuperar a confiança nas instituições. Em vez disso, assiste novamente ao mesmo roteiro das eleições anteriores, como se o debate político estivesse preso em um ciclo que se repete sem produzir avanços significativos.
A abstenção como forma de protesto
Não me surpreenderia se esta fosse uma das eleições com maiores índices de abstenção da história recente. É comum tratar quem deixa de votar como alguém desinteressado ou pouco comprometido com a democracia. Mas talvez essa seja uma leitura rasa. A abstenção pode representar uma forma silenciosa de protesto diante da percepção de que o processo eleitoral perdeu parte de sua capacidade de inspirar esperança. Isso pra ser civilizado, pois o correto seria uma revolução de valores e costumes.
O Congresso e as reformas esquecidas
O Congresso Nacional, veja, a cada legislatura, cresce a sensação de distanciamento. Diversas pautas consideradas importantes para aumentar a competitividade do país e estimular o desenvolvimento permanecem paralisadas ou avançam lentamente.
Entre elas, podem ser citadas reformas voltadas à simplificação tributária, à modernização administrativa, à redução da burocracia para abertura e funcionamento de empresas, ao aprimoramento do ambiente regulatório para investimentos, à expansão da infraestrutura logística, ao fortalecimento de parcerias público-privadas e à revisão de normas que elevam o custo de produzir e empreender no Brasil. O limite de faturamento da Mei está há anos parado esperando pela alta.
O eleitor procura soluções
A democracia se fortalece quando o debate político gira em torno de soluções, prioridades e resultados, e não apenas de adversários. O eleitor merece mais do que escolher entre lados. Ele quer saber quais são os projetos de país colocados à mesa..
Por fim, discutir o Brasil não é só escolher um presidente, é recuperar a capacidade da população de acreditar na política em meio a tanta corrupção, que sim une lados, esquerda e direita, e se transformou em ícone da política brasileira. Porém, a maioria da população é unida por valores que dão força e este tipo de movimento, as pesquisas de opinião não me deixam mentir.

